segunda-feira, 24 de março de 2008

Se fôssemos um blog satírico...


Relatório: Frota da Presidência do Conselho de Ministros

Motoristas ao nível de dirigentes

Os motoristas ao serviço da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros têm uma remuneração mensal três vezes superior ao respectivo vencimento base, auferindo mesmo salários equiparados aos do pessoal dirigente da Administração Pública. O que significa que a maioria dos sessenta motoristas ao serviço da Presidência do Conselho de Ministros recebe cerca de dois mil euros líquidos. (Correio da Manhã)



Se fôssemos um blog satírico diríamos que estas remunerações incorporam o pagamento aos motoristas de um prémio de risco por transportarem cargas perigosas...



Encomende-se ao LNEC

Encomende-se ao LNEC um estudo sobre a resistência de Maria de Lurdes no Ministério da Educação, mas rapidamente antes que a estrutura colapse.

Entretanto, com um governo que faz as coisas em cima do joelho, é natural que suceda isto:


Prazo terminava hoje

Adiada para Abril entrega do estudo do LNEC sobre terceira travessia do Tejo

24.03.2008 - 18h44 Lusa

O prazo para entrega do estudo comparativo entre as alternativas para a terceira travessia do Tejo, a cargo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), foi hoje adiado para a primeira semana de Abril.

Numa nota divulgada hoje, o LNEC informa que "só durante a última quinzena de Março foram disponibilizadas as contribuições escritas de alguns consultores, bem como de entidades às quais foram solicitados pareceres". Por isso, e com "a concordância" do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, o prazo que terminava hoje foi alargado para a primeira semana de Abril.


Trapalhada 27



Reacção à notícia do PÚBLICO

Finanças vão corrigir “excessos” na informação exigida a recém-casados

24.03.2008 - 14h29

Por PUBLICO.PT

Pedro Cunha (arquivo)

Carlos Lobo reconheceu que os serviços deviam ter atribuído carácter facultativo à informação exigida a contribuintes que se casaram recentemente
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo, reconheceu hoje que os pedidos de informação a contribuintes recém-casados exigidos por algumas direcções distritais de Finanças são “excessivos” e que vão ser “corrigidos”.

O governante declarou hoje, em reacção à notícia do PÚBLICO, que “não nega que houve algum abuso” nos pedidos de informação relativos aos custos de festas de casamento, acrescentando que nesses pedidos “faltou acrescentar” que a informação “era de ordem facultativa”.


Breve comentário:

Bastou uma notícia no jornal Público para que o Governo que tem um rumo e que não cede a pressões, mudar de rumo e ceder...

Como?

Informadores nas escolas?

Mário Crespo redimido

"Dá-me o telemóvel JÁ!"


Mário , Crespo, Jornalista

Tira os adjectivos e ficas com os factos. Atticus Finch advogado no Alabama, in Não matem a cotovia - Harper Lee.

Vi há semanas uma excelente encenação do Cândido de Voltaire, no Maria Matos, em Lisboa. Uma das personagens, o filósofo germânico dr. Pangloss, que encontrava sempre um aspecto redentor em praticamente tudo (já que este era o melhor dos mundos possível), ao desembarcar na frente ribeirinha de Lisboa no dia do terramoto de 1755, vê tudo destruído e no meio das ruínas a gentalha a pilhar num saque sanguinário. Questionado por Cândido sobre o que era aquilo, responde

"... Isto é o fim do Mundo".



Pivot

Boa noite, uma professora foi agredida na escola Carolina Michaëlis, no Porto. A cena foi registada em vídeo por um telemóvel e divulgada no YouTube.

(Segue Vídeo 1' 10")

Se o incurável optimista Pangloss tivesse visto o vídeo da aula de Francês no 9.º C, só podia ter comentado que era o fim do Mundo. E foi. O vídeo, a boçalidade dos comentários de quem filmou, os ataques selváticos de quem atacou, a birra criminosa da delinquente a quem tiraram o telemóvel, a indiferença da maioria da turma pelo horror do que se estava a passar mostram o malogro do sistema administrado pelo Ministério da Educação.

"Ha… ha… ha...ha...ha"

"DÁ-ME O TELEMÓVEL!"

Há um caso exemplar no historial governativo socialista onde Maria de Lurdes Rodrigues podia ir buscar inspiração. Em Março de 2001, depois da queda da ponte de Entre-os-Rios, o ministro da tutela anunciou que se demitiria com efeitos imediatos. Foi a maneira consciente de mostrar responsabilidade.

"Sai da frente... sai da frente!"

Por favor, façam-me a justiça de não considerar sequer que estou a fazer comparações. A enorme crise que atravessa o sistema educativo em Portugal e a queda de uma ponte cheia de pessoas em cima, com as consequentes fatalidades, são situações de gravidade específica que não toleram comparações. O que digo é que a decisão de Jorge Coelho de se retirar de funções porque a ponte de Entre-os-Rios era responsabilidade de vários departamentos do seu ministério, é o modelo de comportamento governativo.

"Ó Rui, ó Rui, ó Ruizinho!"

Maria de Lurdes Rodrigues tem um tremendo desastre entre mãos e contribuiu directamente para ele com as suas políticas de desrespeito de toda a classe docente e com o incompreensível arrazoado de privilégios estatutários garantísticos aos discentes, que estão a condenar toda uma geração e a comprometer o futuro de todo um país.

"Ó gorda, ó p (...), sai daí!"

Depois de todos termos, finalmente, visto aquilo que realmente se passa nas nossas escolas, nada pode ficar na mesma. A DREN, que já se devia ter ido embora no escândalo do professor Charrua, tem de sair porque aquela gente obviamente não sabe o que está a fazer. O Conselho Directivo da Carolina Michaëlis tem de ser imediatamente substituído por gente capaz de proibir telemóveis e de impor (não tenham medo da palavra), impor, um ambiente de estudo na escola pública. Reparem que durante o desacato e o linchamento da professora nenhum dos alunos abre a porta da sala de aulas e pede ajuda.

"Sai da frente... sai da frente!"

Isso atesta que já não ocorre aos próprios alunos que haja na escola alguém capaz de impor disciplina e restabelecer a ordem.

"Olha a velha vai cair!"

Por isto a Turma do 9.ºC tem de acabar! Por uma questão de exemplo, os alunos têm de ser dispersos por outras turmas e o 9.º C deve ficar com a sala fechada o resto do ano, numa admoestação clara de que este género de comportamento chegou ao fim. Maria de Lurdes Rodrigues não pode ficar à espera de receber outra vez o apoio do primeiro-ministro. Depois disto, é seu dever sair do cargo. E não é, como diz constantemente, a mais fácil das soluções. É a medida necessária para que haja soluções. A saída da ministra é, viu-se agora, uma questão de segurança nacional. É a mensagem necessária para a comunidade escolar, alunos e professores, entenderem que o relaxe, a desordem e o experimentalismo desenfreado chegaram ao fim. Que não há protecção política que os salve já da incompetência do Ministério, da DREN e de tudo o mais que nestes três anos nos trouxe à vergonhosa situação que o vídeo do YouTube mostrou ao país e ao Mundo. Uma questão mais os sindicatos viram as imagens de um crime a ser cometido em público contra uma professora. Façam o que devem. Façam as devidas queixas-crime contra a aluna agressora e contra quem filmou e usou abusiva e ilegalmente da imagem da professora a ser martirizada. O crime foi visto por todos. O Ministério Público tem competência para mover o adequado processo contra esses alunos. Cumpram o vosso dever sem tibiezas palavrosas. Já não se pode perder mais tempo com disparates.

Mário Crespo
Jornal de Notícias
24/3/2008


Citação do dia

(...) Há responsáveis por este clima de desregramento e pela crescente perda de autoridade dos professores. Se a culpa não pode morrer solteira, Lurdes Rodrigues é a principal responsável pelo que hoje se passa nas escolas. O seu discurso e suas atitudes, as suas acções e decisões têm contribuído para desvalorizar toda uma classe profissional, têm contribuído para minar a autoridade dos professores perante os alunos, perante os pais, perante as comunidades educativas e a opinião pública. A desvalorização dos professores e do seu estatuto profissional e social tem sido a táctica preferida da ministra para melhor fazer vingar as suas opções políticas e para impor um regime profissional indigno. O que se viveu no Carolina e se repete no país traduz bem as consequências desta táctica.
Honório Novo
Jornal de Notícias
24/3/2008


A Central de Informações Socratina


A Central de Informações Socratina não falha.

Logo que estoirou o escândalo das assinaturas de favor do engenheiro-projectista José de Sousa, surgiram notícias para incriminar os dirigentes do CDS-PP.

Logo que rebentou o escândalo da aluna que agrediu uma professora, a Central de Informações Socratina providenciou para que fosse requentada uma notícia já arrefecida de uma professora que alegadamente maltratou umas alunas.

José de Sousa e a sua camarilha continuam ao seu habitual nível: a baixaria total...



Canhotos e batatas com olhos


Perante um número crescente de personalidades públicas, de pais e de professores que exigem a reposição dos exames nacionais nos finais de ciclo e nos anos intermédios do ensino secundário, aparecem nervosos ou irritados os canhotos e os canhestros, apegados a ideologias obsoletas que conduzem precisamente ao contrário do que advogam como finalidade da escola pública.

É óbvio que os exames nacionais não serolvem só por si todos os problemas do ensino em Portugal, mas têm algumas virtudes:

a) Acabar com a mentira das avaliações internas que não podem ser externamente aferidas por avaliações independentes;

b) Forçar os professores a uma maior exigência no cumprimento dos programas e na profundidade dos temas leccionados;

c) Consciencializar os alunos de que os conteúdos leccionados devem ser entendidos como conhecimentos e competências de longa duração e não meramente memorizados à pressa para serem esquecidos após os testes;

d) Levar os alunos a terem uma postura de empenhamento permanente nas actividades lectivas e de planificação do seu estudo numa perspectiva anual ou plurianual.

Em linguagem simplex, os exames nacionais têm a virtude de acabar ou reduzir a balda que constitui a matriz do nosso sistema educativo.

Aquelas cabecinhas acanhadas ainda alegam que os exames levaram a uma selecção dos alunos socialmente mais favorecidos.

A realidade mostra exactamente o contrário.

As elites intelectuais das nossas universidades, formadas nas escolas do Estado Novo, têm em grande parte uma origem social modesta. E mesmo as elites políticas de antanho tiveram modestas extracções sociais.

A destruição em curso da escola pública está a gerar novas elites. Não as do mérito, mas as que podem pagar colégios privados e fogem da escola pública.

A esquerda cega prometeu o céu na terra e gerou o infermo comunista e socialista.

Essa mesma esquerda canhestra quer uma escola pública medíocre para obter a igualdade pela dediocretização geral da sociedade. Só que os ricos, fugindo a essa mediocridade, vão para os colégios privados.

Esta estúpida e estupidificante ideologia está a construir um modelo de sociedade absolutamente contrário ao que pretende.

Só batatas com dois olhos não percebem esta simples realidade.

Chamem-lhe esquerda democrática, esquerda liberal ou esquerda pós-moderna.

Não passam de batatas com dois olhos... e uma boca para dizer alarvidades...

Nem Simplex nem Choque Tecnológico


Não há Simplex nem Choque Tecnológico, mesmo recheados de demagogia e de propaganda, que vençam tamanha incompetência e ineficiência socratina...


QREN

Atraso informático ameaça pagamento de apoios a empresas

A instalação do sistema informático, que deverá integrar e centralizar toda a informação relacionada com o pagamento dos fundos estruturais prometidos pela UE no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), está atrasada.

A instalação do sistema informático, que deverá integrar e centralizar toda a informação relacionada com o pagamento dos fundos estruturais prometidos pela UE no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), está atrasada.

Isto inviabiliza a necessária certificação, por parte da Inspeccção-Geral de Finanças (IGF) junto da Comissão Europeia, de que todas as estruturas estão devidamente montadas em Portugal de modo a assegurar uma execução correcta e atempada das verbas desde novo ciclo de apoios comunitários, que promete trazer ao País 21,5 mil milhões de euros até 2013.

Além das dificuldades de ordem mais prática, associadas à recepção, avaliação e prazos de resposta às candidaturas - que o primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou querer ver reduzido para uma média de 70 dias -, o atraso na implementação do novo sistema informático pode, em última instância, interromper os fluxos financeiros de Bruxelas.

Jornal de Negócios
24/3/2008

«MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO É UMA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA»


Este título é de um filme brasileiro do YouTube.

Advertimos os leitores e em especial o Ministério da Educação de Portugal, que qualquer semelhança com a realidade portuguesa é mera coincidência.






Desconfio



A Ministra da Educação pode não ser deitada a baixo pelo Primeiro-Ministro, nem pelo padrinho Cavaco Silva, nem sequer por 100.000 professores.

Mas desconfio que, se os alunos forem imaginativos e filmarem mais umas "gandas cenas" nas escolas, como a da cena do telemóvel, a Maria de Lurdes vai para casa de vez, mais o bostiniano Valter Lemos.





domingo, 23 de março de 2008

Dando-lhe música





Verdades (in)convenientes


Ausentes noutras prédicas, ficámos privados da pregação dominical de Marcelo Rebelo de Sousa.

Parece que a demagogia de Maria de Lurdes Rodrigues e do seu secretário de estado, o bostoniano Valter Lemos, foi bem desmontada.

Socorremo-nos do relato escrito pelo sempre atento Paulo Guinote.


Após contextualização longa acerca da evolução do papel das escolas e famílias na educação dos jovens nos últimos 30 anos, o dedo apontado sem hesitação aos erros deste Ministério em matéria de desautorização pública dos professores, ao tentar torná-los os responsáveis por todos os males do sistema de ensino.

Em seguida a desmontagem da «utopia» (palavras do próprio) que está na base do discurso acerca do novo modelo de gestão escolar e da participação dos pais, encarregados de educação e comunidade como forma de melhor resolver os problemas das Escolas, quando se verifica que as próprias famílias cada vez têm menos tempo para resolver os problemas dos seus próprios filhos.

Por fim o salientar que o Estatuto do Aluno, enquanto instrumento introdutor de um regime de irresponsabilidade completa em termos de assiduidade, é apenas o culminar de um processo de três anos que ajudou a destruir ainda mais a autoridade democrática dos professores nas escolas.

Como síntese final, a declaração que os três anos deste Ministério da Educação em nada melhoraram a situação neste aspecto particular, antes ajudando a erodir decisivamente algo que já não estava muito bem.

Passar o Deserto



Vindo de uma Vigília Pascal que me consumiu o final da noite e o início da madrugada, apenas pude saber pela TSF, já de regresso a casa, que a Maria, na sua proverbial arrogância, sentindo as costas quentes pela nulidade do José, meteu outra vez os pés todos na poça, sem pejo nem vergonha.

O Paulo Guinote já lhe deu a merecida resposta, reconstituindo os factos como o fez a TSF. Poupamo-nos a mais comentários.

De passagem pela Grande Loja, vejo repescada uma estéril polémica a propósito da participação da mulher de António Costa na MANIF contra a política deseducativa do desgoverno socratino. Já ouvira a esta inútil discussão em Joana Amaral Dias e em Clara Ferreira Alves. O Venerável escriba desta preciosa superfície blogosférica deu já lhes deu a resposta que se impunha, eliminando os fantasmas que certas mentes atrofiadas e doentias imaginam ver em todo o lado.

Também aqui publicámos a imagem de Fernanda Tadeu, apenas com o intuito de destacar que a política educativa deste governo é de tal modo calamitosa que até a esposa de um ex-ministro de Sócrates não se coibiu de estar presente, como esteve presente o marido de uma deputada do PS de que não foram publicadas imagens...

Bom seria que a Páscoa, a passagem do Deserto do Sinai pelos Hebreus, assinalasse a passagem do deserto de ideias, de projectos e de decência destes socratinos. Em vão esperaremos essa passagem para a Terra Prometida onde corresse competência, dignidade e amor por Portugal...

Isto é mesmo um perene deserto, cheio de toda a espécie de alimárias próprias deste ambiente arenoso e ressequido...

sábado, 22 de março de 2008

Uma história (nada) pascal


Outro exemplo eloquente de como a legalização do aborto acabou com o aborto clandestino e veio dignificar a mulher portuguesa...



Mulher internada no Barreiro

Decapitou o filho logo à nascença

Uma mulher de 43 anos, já com filhos, conseguiu esconder da família nova gravidez. Na terça-feira de manhã, escolheu um local isolado, perto da sua residência, na Jardia, freguesia do Alto do Estanqueiro, Montijo. Forçou o parto, e mal conseguiu ver a cabeça do bebé, pegou num cordel e sufocou o próprio filho. Apertou tanto, que acabou por decapitar o bebé, empurrando o resto do corpo para o interior do útero. Poderá agora vir a ser constituída pelo crime de infanticídio.

Correio da Manhã
21/3/2008




O exemplo


Ensinava Confúcio que «A palavra convence, mas o exemplo arrasta».


E ensina o nosso Povo que «O exemplo vem de cima».

Ficamos a saber hoje que a tiranasinha da DREN, é tirana para os professores, mas branda para os alunos que aspiram a ser tiranosinhos como ela...

O País que quer viver em águas limpas e puras, necessita urgentemente que esta gente seja DRENada para o sítio de onde vem...


Citação do dia

"Se existisse justiça neste mundo, [o Governo] devia "avaliar" primeiro a longa linha de ministros que desde Veiga Simão (um homem nefasto), Roberto Carneiro e Marçal Grilo arrasaram no ensino do Estado a autoridade e a disciplina e o tornaram na trágica farsa que hoje temos."

Vasco Pulido Valente
Público
22/3/2008
Apud GLQL

Um ícone da Pátria


Vital Moreira já reagiu à "ganda cena" do telemóvel.


Não conseguiu produzir uma interpretação jurídica conforme à CRP que excluísse a ilicitude do acto de uma aluna que ofendeu rudemente uma professora.

Mas, à sua boa maneira, retirou toda a responsabilidade de actos como este ao Ministério da Educação, atirando-os para as escolas e sobretudo para os professores.

Eis a sua bela pérola socratina, digna de um qualquer Valter Lemos:


O que admira é que muitas escolas continuem sem tomar medidas elementares, como proibir telemóveis ligados na sala de aula, determinar a expulsão imediata de quem viole a ordem nas aulas e proporcionar aos professores um meio de contacto imediato para solicitar ajuda em caso de violência na aula. Além de obrigar a reportar todas as situações de indisciplina e aplicar o regulamento disciplinar, evidentemente. E, por último, formar os professores na gestão de situações de indisciplina.
As escolas não podem pactuar com cenas de delinquência juvenil como estas.

Respondamos:

1.º - O uso dos telemóveis está proibido em todas as salas de aula, como decorre do Art.º 15, al. q) do Estatuto do Aluno independentemente da sua transposição para o Regulamento Interno;

2.º - De acordo com as normas ministeriais em vigor um aluno não deve ser expulso pelo simples facto de possuir ou usar um telemóvel. A ordem de saída da sala de aula é «aplicável ao aluno que aí se comporte de modo que impeça o prosseguimento do processo de ensino e aprendizagem dos restantes alunos». Este era o teor do Art.º 30 do anterior Estatuto do Aluno. Já não consta expressamente do novo Estatuto, mas continua a ser esse o entendimento do Ministério da Educação e continua a ser essa a prática das escolas em obediência à filosofia das luminárias da Avenida 5 de Outubro. A ordem de saída da Sala de Aula é sempre um procedimento excepcional, a aplicar na falta de outro procedimento e se o comportamento do aluno impedir o normal funcionamento das actividades lectivas. Uma simples advertência pode resolver a situação na maior parte dos casos, desde que o aluno desligue ou recolha o aparelho. As escolas prevêem geralmente a possibilidade de o telemóvel ser "confiscado" por um determinado período de tempo e até a obrigatoriedade de ser o encarregado de educação a vir recuperar o telemóvel ao Conselho Executivo.
O professor que aplique imediatamente ordem de saída da sala de aula a um aluno que tenha um telemóvel na mão corre o risco de ser considerado pelo Conselho Executivo ou pelo Director de Turma como incapaz de lidar com situações de infracção aos regulamentos.

3.º - As salas de aula têm uma campainha para chamar as funcionárias ou existe uma funcionária no corredor. Quando isto não sucede há um responsável: o Ministério da Educação por não dotar as escolas dos meios humanos, técnicos ou financeiros necessários. Não é culpa das escolas.

4.º - Tanto o Estatuto do Aluno (o novo como o antigo), obrigam à participação das ocorrências. Mas há professores que nem sempre entregam as participações e por várias razões:

a) Medo de retaliação por parte de alunos e de encarregados de educação (o habitual são insultos, danos nos automóveis e agressões física...);

b) Descrédito no funcionamento do sistema sancionatório que foi produzido à semelhança do sistema penal, com um paralizante excesso de procedimentos e de garantismos (na prática era mais penoso para os professores fazer uma participação, inquirir testemunhas, reunir com os pais, convocar o conselho de turma, do que para o aluno infractor que acabaria por sofrer uma pena simbólica);

c) Sentimento geral de impunidade num sistema educativo que incutiu nas escolas e nos professores a consciência de que a indisciplina é geralmente culpa da impreparação dos docentes para lidarem com situações de violência e de indisciplina, fazendo aparecer os infractores como vítimas da sociedade, da família e da escola, e apresentando os docentes como co-responsáveis ou responsáveis exclusivos destes problemas.

Em suma, quando ocorrem problemas, quem mais perturbado fica não é o aluno receando consequências dos seus actos. É o professor que fica atormentado por um sistema pervertido por três décadas de doutrinas libertárias e anarquistas germinadas na Geração de 60 e cultivadas no Ministério da Educação pela Geração Abrilina.

O sistema educativo apodreceu, como apodreceu todo o País. Não há disciplina e autoridade, nem nas famílias, nem nas escolas, nem em toda a sociedade.

O que se passa nas escolas ao nível dos valores como ao nível dos conhecimentos é apenas a consequência (e reflexamente também já a causa) de uma concepção geral de sociedade que o regime abrilino instaurou em Portugal. É a imagem da decomposição da III.ª República...

Em muito, tudo isto, é o suculento fruto dos lemas de juventude da geração que governa Portugal: «É proibido proibir» ou «É proibido punir».

A luta entre uma ignara aluna e uma culta professora lembra-nos como os bárbaros podem vencer a civilização, como os porcos revoltados podem passar a governar a quinta...

José Sócrates é o ícone perfeito desta realidade, uma síntese pura e cristalina do estado a que Portugal chegou...



A melhor resposta ao demagogo Valter Lemos








sexta-feira, 21 de março de 2008

A Aluna e o Secretário de Estado



"Tenho a noção de que o que fiz está errado".

Aluna da escola Carolina Michaelis, "Correio da Manhã", 21-03-2008



* * *


O secretário de Estado da Educação disse, esta sexta-feira, que o novo Estatuto do Aluno permite combater os casos de violência nas escolas e lamentou o caso da aluna que agrediu a professora na sala de aula por causa de um telemóvel. "TSF", 21-03-2008



Aparentemente foi a aluna que agrediu uma professora e através dela todas as professoras e professores cuja autoridade institucional o Ministério da Educação destruiu paulatinamente ao longo de mais de três décadas.

Mas depois de vermos as imagens e de lermos estas palavras de Valter Lemos, secretário de estado de Maria de Lurdes Rodrigues e de José Sócrates, ficamos na dúvida sobre quem agrediu verdadeiramente o corpo docente.


A aluna ainda tomou consciência da sua conduta e mostrou-se arrependida.

Ao invés, o secretário de estado vem uma vez mais esconder a responsabilidade que o Ministério da Educação tem nesta escandalosa realidade, procurando enganar os portugueses e indirectamente passar um atestado de imbecilidade aos professores.

O novo Estatuto do Aluno que Valter Lemos vem elogiar permite coisas como esta:


O novo diploma permite que os estudantes passem de ano sem frequentar as aulas, desde que sejam aprovados nas provas de recuperação. A reprovação só ocorre se o aluno faltar sem justificação à prova de recuperação, ficando retido, no caso do básico, ou excluído da frequência da disciplina, no caso do secundário. "Público", 21-03-2008

Num sistema educativo em que é quase necessário obter uma bula papal para reprovar ou reter um aluno, onde é quase impossível um aluno reprovar ou ser retido por faltas, há alguma possibilidade de os alunos respeitarem normas disciplinares?


Haja vergonha!