terça-feira, 27 de maio de 2008

Boa pedra


Não fosse a preocupação de Paulo Pedroso pelas férias das criancinhas e este post nem sequer existiria.

Mas vindo de quem vem, a preocupação com as criancinhas deixa-me comovido.

Trata-se de mais um estudo estrangeiro sobre matéria educativa, que por ser estrangeiro foi logo aplaudido pelos mais sábios em matéria educativa, incluindo os arautos do socratinismo.

Só que tantas luminárias que já escreveram sobre o tema, alguns deles até professores, esqueceram-se de um pequeno pormenor sem a mínima importância: o clima!

No Reino Unido é quase indiferente a correlação entre as estações do ano (que lá quase não existem) e a calendarização do ano lectivo. E a que existe é facilmente suprida com bons agasalhos e aquecimento central.

Em Portugal é impossível estar numa sala de aula entre meados de Maio e meados de Setembro. (O ar condicionado - pensarão alguns - ficou nos gabinetes da 5 de Outubro, a refrescar aqueles cérebros altamente produtivos que diariamente inventam novas novidades, cada uma pior que a anterior)...

Muitas salas de aula, a maioria - quase todas as edificadas nos últimos 30 anos, em vidro, alumínio e paredes de tijolo estreito - prestam-se mais a estufas para secar figos do que a espaços de aprendizagem. Nas antigas escolas do Estado Novo, feitas em pedra ou com espessas paredes de alvenaria, ainda resiste alguma fresquidão, mas são a honrosa minoria.

Grande rendimento escolar se obtém em salas de aula com mais de 30º e com os alunos a querem estar na praia!...

A inteligência parece que não mora por estes lados...

Deve ser o Anticiclone dos Açores que a afasta para bem longe...

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